Comprovadamente o mundo antigo já era

121224151928_newsweek_capa_281x351_divulgacaoApós 80 anos, a revista americana Newsweek divulgou a capa de sua última edição impressa.

A partir de 2013, só na web.

Inevitável né? Minha filha de 10 anos quando pega uma inocente folha de papel já diz: “_Hugh…! Mais uma árvore foi morta.”

Verdade seja dita: se nos últimos 10 anos nosso mundo conhecido mudou completamente, tenho medo de pensar nos próximos 10, 20 anos. Não é medo de pensar na verdade, é mais uma sensação ansiosa de não conseguir acompanhar tudo isso. Ficar pra trás das coisas. Hoje, caminhando para os 50, tive sérias dificuldades para explicar aos meus filhos pequenos o que foi o telex, a maquina de escrever, uma maquina de fotografias onde a gente abria a traseira para colocar o rolinho de filmes, depois rebobinava e levava pra revelar. Também não consegui explicar pra eles porque um politico gasta 5 milhões para conseguir se eleger para um cargo onde o salario não chegará nem a um milhão ao final do mandato. Mas essa é outra estoria.

O fax passou bem rápido. Assim como as fitas cassetes e VHS. Agora pense na extrema rapidez da mídia CD. Durou o quê, uns 5 anos? Agora os Pen drives estão assumindo. Ou não, na verdade o que parece que vai assumir de verdade é o “coisas” online, nas nuvens. Não teremos mais as nossas coisas conosco. Não teremos mais backups em outro HD ou num zip drive. Vai tudo estar guardado e seguro em algum outro lugar, por empresas gigantes como a Google e a Microsoft, que vão guardar nossas coisas em seus servidores na Malásia ou em qualquer outro lugar do planeta (por enquanto, pois já já descobrem que os servidores funcionam melhor com a gravidade zero e o vácuo do espaço). Estaremos então com nossas coisas guardadas por criptografia básica e protegidos pelo anonimato dos números, sendo nossas coisas apenas uma gota no oceano das coisas de todo mundo juntas na nuvem. Sempre penso nisso como naquelas nuvens de passarinhos se movimentando no ar, fluindo de um lado pra outro, sem um nunca trombar no outro. Como eles se acham ali?

Faço websites para viver. Representações virtuais de pessoas e empresas na web. Cada site tem de ser único, e de alguma forma ser a “cara do dono”. E me esforço todos os dias para o site do meu cliente se destacar na multidão virtual. E creio que já já todo mundo vai precisar de ter o seu. Uso o Facebook para conversar com meus filhos – eles não vivem comigo. Mas conheço gente que vive com os filhos e mesmo assim faz do mesmo jeito. Menos tenso, eu acho 🙂 – , porque eles não gostam de emails, “_email é coisa de velho, pai”; é emails também já eram. Este mesmo Facebook serve pra gente ver os amigos e familiares espalhados pelo mundo, vivendo seus melhores momentos – sim, a gente só posta nossos melhores. Qual o sentido em postar os piores? E também substitui aquela chatice de ter de ir na casa dos outros pra “não perder a proximidade”. É bom ou não é? Vejo minha sogra toda semana no Face. Êita família unida!

Sento para conversar numa sala de visitas de alguem e sem perceber meu Smartphone android esta na minha mão, estou teclando emails, chats, informando as pessoas de onde estou, respondendo aos clientes. Tudo junto e embolado. E não estou sendo desrespeitoso para com as pessoas ao meu redor, pois eles também fazem o mesmo. Estranho? Não, novo!

Eu fumo. Chocado? Pois é. Comecei a fumar aos 18 anos, e gosto de fumar. Sempre achei que com toda essa tecnologia e pesquisas novas, já já alguem inventava um cigarro sadio, ou pelo menos inócuo, e a coisa continuaria bem. Nada. Hoje sou tratado como “uma coisa” que fuma, fede e incomoda. E que vai morrer logo.

Cervejinha? Bom né?! Pode mais não. Agora vc se transforma num monstro assassino, é multado e preso por fazer isso e depois ir pra casa. Um mundo estranho onde vc nunca se acidentou nem matou ninguém por mais de 40 anos, mas foi resolvido que vc vai matar. Seu safado bebedor de cervejinha! Irresponsável! Não seria mais sensato punir o criminoso depois dele cometer o crime? Neste mundo não.

Adoro motocicletas. Mas se eu começar a falar que sempre amei armas de fogo, acho-as lindas, sensuais e poderosas, e acho sensacional o tiro ao alvo, vou começar a ser evitado. E essa estupidez de não ter mais sacolinhas de supermercado? Pra vender mais sacos de lixo eu acho, que acredito devem ser biodegradáveis (sarcástico). Ou os donos das fábricas de sacos de lixo são mais espertos que os fabricantes de sacolinhas (sarcástico 2). Ou serão os mesmos donos (lógico!)? Ou não tem nada com isso, os supermercados é que quiseram reduzir seus custos? Sei não, só pago. País de gente safada feito pra safados ganhar dinheiro. Nas sacolinhas e no poder. E a gente pagar imposto.

Meu ponto é: umas coisas estão mudando tão rápido, mas tão rápido, que a minha mente se revolta ao perceber que outras são exatamente as mesmas. Somos gado no pasto. E parte do pasto está se virtualizando. E a minha geração, me parece, esta perdida entre o mundo dos nossos pais e o mundo que será aquele dos nossos filhos. As coisas sempre mudaram. Mas eram gerações para acontecer a mudança. Agora, isso acontece em hiper-velocidade. Quero matrix. Sou voluntário para ter meu cérebro baixado para a nuvem e nela viver.

Um Feliz ano novo para todos nós. Ou talvez devesse dizer um melhor novo ano!

2 thoughts on “Comprovadamente o mundo antigo já era

  1. Dagoberto Aranha Pacheco

    ‘In God we trust’ or ‘God help us’ nas novas notas de dólares. Gostei de suas observações sobre o Novo Mundo. Realmente, essas vertiginosas mudanças estão afetando a cabeça das pessoas e as mergulhando em profundas depressões. A humanidade está doente. Não sou pessimista, não! É uma fase de transição e depois, uma nova geração vai viver num Novo Mundo automatizado, brilhante e fantástico, se não houver A P A G Ã O!
    Feliz Ano Novo! Como? Só Deus sabe!
    Dagoberto

    1. Ostiore Post author

      …”estão afetando a cabeça das pessoas e as mergulhando em profundas depressões. A humanidade está doente”…

      concordo, e isso me incomoda a beça. sempre tenho dúvidas sobre como direcionar os filhos nestes tempos…

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